3. Produto x Projeto. E como montar uma equipe quando ela ainda não existe
- suzanahrsouza
- 28 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
A transição do jornalismo tradicional para estruturas mais híbridas, que combinam conteúdo, tecnologia e estratégia, exige clareza sobre a diferença entre produtos e projetos.
Essa distinção orienta decisões editoriais e de negócio, e sustenta a criação de equipes capazes de desenvolver soluções contínuas, escaláveis e centradas no público.
Este texto se baseia especialmente no guia Distinguishing between products and projects in journalism, de Paty Gomes, parte do Product Kit da NPA.E utiliza também o glossário ABC do Produto, da NPA, traduzido pela Ajor (Associação de Jornalismo Digital).
O que é um produto no jornalismo?
Produtos são soluções contínuas, ajustáveis e orientadas a resolver problemas reais de uma audiência específica. Eles evoluem ao longo do tempo e dependem de métricas para comprovar impacto e sustentabilidade.
Um produto jornalístico se caracteriza por cinco fatores:

Exemplos comuns de produtos no jornalismo são: newsletters, aplicativos, programas de assinatura, áreas exclusivas para assinantes, cursos, etc.
O que é um projeto no jornalismo?
A principal característica de um projeto é que ele tem começo, meio e fim, com escopo fixo, orçamento estável e entrega única.
São exemplos de projetos: séries especiais, podcasts sazonais, grandes reportagens multimídia, eventos, coberturas com data de término, etc. Eles são essenciais para o impacto editorial, mas não são desenhados para sustentar o negócio.

Glossário de produto da NPA
O ABC do Produto é um glossário essencial para redações que querem criar uma linguagem comum. Ele inclui definições fundamentais como o que é persona, backlog, mvp, roadmap, ciclo de vida do produto… São todos termos que vamos utilizar aqui no framework.
Por isso, sugerimos que você navegue pelo glossário e tenha ele sempre por perto.
Como montar uma equipe de produto quando ela ainda não existe
Como as pesquisas nos mostraram, grande parte das redações começa sem estrutura formal de produto, mas é possível construir aos poucos um time para trabalhar em soluções.
Passo 1: identificar funções-ponte
O ABC do Produto define como bridge roles (ou seja, funções-ponte) aquelas que conectam áreas diferentes e já existem na maioria das redações, como editores que entendem de audiência, jornalistas que trabalham com dados, pessoas de tecnologia que apoiam o editorial e profissionais de marketing integrados ao conteúdo.
Essas pessoas são o embrião de um time de produto.
Passo 2: crie um mini time multidisciplinar
Com 3–5 pessoas, você já consegue montar um núcleo para experimentações. Em um mundo ideal, cinco áreas são contempladas:
Editorial (missão e contexto)
UX/design (experiência do usuário)
Tecnologia (viabilidade técnica)
Negócios/audiência (indicadores e sustentabilidade)
Uma liderança clara (mesmo informal)
Mas sabemos que a realidade é outra. Por isso, nesse primeiro momento, o ideal é que seu time de experimentação tenha ao menos alguém que entenda bem da parte editorial, alguém que saiba de design/tecnologia e alguém que tenha noções de negócio e audiência.
Aqui vale lembrar do ponto zero da agilidade, que é a evangelização. O mesmo processo utilizado para trazer as pessoas para o mesmo barco na mudança de mentalidade sobre o modo de trabalhar deve ser utilizado aqui, para convencer as pessoas a embarcarem na experimentação em produto.
Passo 3: comece pequeno
O framework que vamos apresentar a seguir traz um passo a passo de como desenvolver um produto na sua redação. Mas lembre-se de começar pequeno, com uma exploração pequena, que vá resultar em um teste pequeno. Não extrapole as capacidades do seu time de experimentação.
Lembre-se que um teste pequeno tem mais chance de dar certo e, assim, você conseguirá mostrar resultados positivos que vão trazer mais pessoas para a iniciativa dentro da organização.

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